Falta grana, falta comida, falta tapar uns buracos no teto do barraco e também falta ligar o “gato” no quartinho (lê-se puxadinho) do Uóshintu. A mãe sai pra trabalhar as 5 da manhã de empregada doméstica, e só volta as 11, porque as tres condução e o trem demora muito.
O pai tá no hospital, teve que pedir licença pro trablho pra ir cuidar da doença que tá atacando o “figo” dele, o médico desconfia que pode ser, também, um problema no “istrômbago”. Wallace, o pai, trabalha de torneiro-mecânico, mas mal sai do trabalho vai no “bar do Wésclei” tomar umas e comer os petiscos.
Uóshintu, tem que ficar com a avó, Vandiscreusa, porque a mãe e o pai estão no trabalho e não querem deixar o Uóshintu sozinho. A avó tenta cuidar do garoto. PORÉM (aqui começa a história) os pais só podem ve-lo nos finais de semana, que é quando dá, e por isso fazem um monte de agrados pro garoto e acham graça de tudo o que ele faz. Começa a semana de novo, e lá vai o Uóshintu pra casa da avó. Só que agora ele quer ter a mesma liberdade do final de semana, daí a avó não deixa, afinal ele tem que ir pra escola e começa a repreende-lo. Uóshintu não gosta da avó e sempre diz que a mãe dele é bem melhor (mesmo só podendo ve-la nos finais de semana).
Falta o que?????
Educação. A criança já não respeita os mais velhos, porque eles se parecem velhos feito a sua avó chata, e pensa que todos devem ser os mesmos chatos. Acaba que a criança cresce com os amigos que falam “probrema”. A mãe já praticamente ausente, não dá apoio e quando aparece quer agradar e PIMBA todos já deram o passo pra ajudar a marginalizar Uóshintu (mãe e pai ausente, uma avó, que segundo ele é chata e não deixa ele fazer nada, e amigos botando minhoca na cabeça dele), só falta a cabeça fraca dele aceitar…. Ele aguenta a pressão?????
pois é… ele não aguenta. Daí ele vem aqui na porta da minha casa roubar meu cordão, porque ninguém ensinou pra ele que estudando e trabalhando ele vai poder comprar um igual sem precisar arrancar dos outros.