Eu confesso. Este não é apenas o título do livro escrito por Salvatore Alberto Cacciola, o único banqueiro que já dormiu em uma cadeia no Brasil. É também o tema deste post. Eu confesso. Não, não se trata de confessar nenhum tipo de viadagem (ui!), nem mesmo de confessar que a Chongas Corporation foi responsável pelo sequestro de Madaleine. Eu confesso que possuo uma falha de caráter: tenho pena do Cacciola.
Antes de tudo, abro um parêntese. Um conhecido meu sempre diz que quando expressamos alguma opinião mediante paga, é importante que isso fique bem claro. Pois aqui a situação é inversa. Ressalte-se que nem a Chongas Corporation nem nenhum de seus sócios-gerentes recebeu qualquer tipo de remuneração do ex-banqueiro tema do post. Nem em território nacional, nem em contas no exterior. Nem nas Bahamas. Nem mesmo em St. Helier, nobre capital de Jersey. Tampouco em Mônaco, onde já se viu?! Chongas Corporation é um grupo empresarial muito sério.
Mas voltando ao assunto, vivemos em um país reconhecido internacionalmente por uma palavra. Impunidade. Não faço a menor idéia se o Cacciola praticou ou não os atos pelos quais é acusado. Gestão temerária? Peculato? Estou certo de que a maioria das pessoas sequer sabe o que essas palavras significam. Ou se sabem, sabem de ouvir dizer. Eu mesmo não sei. Digo, sei de ouvir dizer. Mas a verdade é que não sei. Não faço idéia. Não olhei sequer uma folha do processo em que o ex-banqueiro é acusado de ter cometido crimes. Diz a imprensa que ele foi condenado. Deve até ter sido, mas sou obrigado a dizer que não li uma única decisão judicial. Nem o famoso habeas corpus – palavrinha bonita essa – concedido, que possibilitou que Cacciola retornasse para sua terra natal. Terra nostra, mama mia, polpetone!
Diante dos recentes escândalos narrados nos jornais, comecei a colocar as coisas em perspectiva. Apenas como exercício de abstração, se você pudesse arbitrariamente colocar um homem na cadeia, pelo resto da vida, e tivesse que escolher entre Cacciola e um de nossos senadores, digamos, o presidente do senado. Quem você escolheria? Citei a figura do presidente do senado, por ser um homem de sabida conduta ilibada. Mas poderia ter dito o nome do presidente da república. Ou de um ex-presidente. Ou de ministros de estado, de deputados, de dirigentes de agências reguladores, autarquias. Publicitários, advogados. Juízes, desembargadores.
Nunca na história desse país desejei ver tanta gente na cadeia. Entretanto, não daria um tostão furado para ver Cacciola preso. Não sei explicar, talvez seja alguma patologia. Talvez sejam as lembranças de seus depoimentos na CPI dos Bancos, sempre com um sorriso maroto no rosto, debochando de algumas perguntas incompreensíveis formuladas por políticos que para serem chamados de semi-analfabetos ainda precisariam melhorar muito. Minha simpatia por este senhor se assemelha ao sentimento que nutro pelo ex-deputado Roberto Jefferson.
Deixem o Cacciola em paz, é minha proposta. E seu um dia o Brasil se tornar um país sério, e esse dia há de chegar, bom, aí voltamos a conversar.